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Opinião
Sexta, 08 de Abril de 2005
Excesso de normas onera a gestão
Hoje há inúmeras exigências que visam atestar a excelência da gestão. As práticas de gestão empresarial relacionadas à sustentabilidade, que aliam o desempenho financeiro ao desenvolvimento social e à preservação do meio ambiente, transformaram-se em sinônimo de competitividade nos negócios. Sem a adoção de políticas consistentes nesse campo, as empresas se arriscam a perder grandes negócios e comprometem sua imagem e seu acesso a investimentos, principalmente em mercados globais. O reflexo dessa nova ordem no mundo corporativo é o crescimento vertiginoso dos desembolsos em programas de adequação de processos produtivos às certificações de qualidade, meio ambiente, requisitos de segurança, gestão de riscos, responsabilidade social, governança corporativa e às normas relativas à sustentabilidade.
Contudo, o excesso de exigências, sem uma visão sistêmica em relação ao negócio, pode dificultar e onerar a gestão das organizações. A velocidade com que novas regras são criadas e as já existentes alteradas expõe as empresas aos riscos de penalidades, e os resultados podem ser ônus financeiros desnecessários. Atrasos na implementação de controles de poluição previstos em lei, por exemplo, levam até a paradas de produção ou inviabilização de projetos.
Até poucos anos atrás, o padrão normativo ISO 9001 era o único utilizado para certificação da qualidade. Hoje existem inúmeras exigências para atestar a excelência da gestão, como os padrões ISO 14001 (ambiental), OHSAS 18001 (segurança e saúde ocupacional), NBR 16001 (responsabilidade social), só para citar alguns deles.
A solução encontrada por algumas grandes corporações no mundo todo tem sido unificar a gestão desses processos, alinhando os procedimentos a um benchmark e organizando-os de modo a evitar que sejam feitos em duplicidade, fato que se torna comum quando existem várias equipes debruçadas no cumprimento de normas similares.
Exemplo disso são as certificações ISO 9001:2000 e ISO 14001:1996, que podem ser obtidas de uma só vez, com custos e prazos menores do que se fossem conduzidas separadamente. Ambas servem como base para muitas das exigências de dois dos benchmarks mais utilizados: o Índice de Sustentabilidade Dow Jones (DJSI) e o Prêmio Nacional da Qualidade.
O DJSI elenca as companhias abertas - em bolsas norte-americanas - com as melhores práticas de sustentabilidade. Nos últimos 12 anos, os papéis dessas empresas (que hoje somam 300) acumularam alta de 171%, contra 129% da média global medida pelo mesmo grupo Dow Jones (DJGI). O Prêmio Nacional da Qualidade, criado no Brasil há cerca de dez anos e com edições anuais, também demonstra essa tendência e tem nessas iniciativas um de seus principais critérios de classificação das candidatas.
Diante dessa força adquirida pelas ações de sustentabilidade, é possível afirmar que a implementação dos modelos de excelência almejada pelas empresas passa pela sua gestão integrada. O desafio é encontrar a forma mais ágil e eficaz de realizar essa empreitada. Reconhecer oportunidades em modelos adotados por outras empresas e adaptá-las às próprias necessidades pode ser um bom caminho.
(Fernando Giachini Lopes - Presidente da KEYASSOCIADOS e professor da Fundação Vanzolini
fonte: Gazeta Mercantil - Caderno A - Pág. 3 - 08/04/05.
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