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Empresas promovem cursos para inserir cultura de segurança
segunda-feira, 16 de maio de 2005
por Lucas Toyama
A Cemig, uma das maiores concessionárias de energia elétrica do Brasil , está implementando um grande programa de treinamento para erradicar os riscos de acidentes de trabalho a que seu quadro está submetido. A Schering-Plough, indústria química e farmacêutica, montou um departamento inteiro para cuidar do assunto segurança. A Sipcam Agro, fabricante de defensivos agrícola, decidiu implementar um projeto com o objetivo de treinar seus representantes de venda para transmitir informações de segurança aos agricultores, consumidores finais do produto.
Os três casos acima mostram que treinamento para evitar acidentes de trabalho deixou de ser encarado como gasto e passou a ser visto como investimento e que é crescente o número de empresas seguindo à risca o ditado "é melhor prevenir do que remediar". "O importante é que, hoje, as organizações estão criando uma 'cultura de segurança' e, assim, não se contentam em apenas elaborar projetos pontuais", afirma Fabrício Hernandes, consultor da KEYASSOCIADOS, empresa contratada pela Cemig para formatar e estruturar o projeto.
Treinar para zerar
Com 7 mil funcionários atuando em uma área de 560 mil quilômetros quadrados (km2) - o equivalente à extensão territorial da França, segundo eles -, a Cemig não mede esforços para manter o controle sobre as precauções adotadas por seus empregados. "Trata-se de uma tarefa difícil, pois, além de ser muita gente, trabalhamos num setor em que os profissionais enfrentam muitas situações de risco, como choques e quedas de altas alturas", explica Elieser Francisco Correa, técnico de sistemas de gestão da Cemig.
Um levantamento feito pela Key, a pedido da Cemig, mostra que um dos grandes problemas é a negligência dos funcionários. "Depois da análise, concluímos que os trabalhadores têm consciência dos perigos, mas acabam se boicotando na correria do dia-dia", afirma Hernandes. Portanto, explica, o sistema de gestão recomendado e que será implementado é baseado no treinamento de conscientização.
Os temas a serem abordados nos treinamentos são variados e vão desde os cuidados ao subir em poste, até a importância da direção preventiva (a empresa trabalha com muitos motoboys), passando pela imprescindibilidade do uso do filtro solar e as medidas necessárias para detectar a presença de abelhas dentro dos medidores de luz, pois é muito comum insetos do gênero na área da Cemig.
Grandes investimentos
Com um orçamento para prevenção de acidentes de R$ 376,4 mil em 2004 e uma previsão de R$ 460 mil para este ano, a Schering-Plough prepara palestras diárias de cinco minutos voltadas para todos os funcionários. O setor, que possui seis profissionais (três técnicos de segurança do trabalho, um engenheiro e dois bombeiros civis), também implementa treinamentos formais para operadores de empilhadeiras, caldeiras e outros maquinários, além de aulas para alertar sobre as diversas áreas de risco. "Temos na fábrica muitas áreas suscetíveis a acidentes, como o depósito, que armazena mais de 10 mil litros de produtos inflamáveis, e a central de gás, onde se encontram 12 bujões de 45 quilos cada", afirma o engenheiro José Marcos Martins, gerente de segurança do trabalho e meio ambiente da Schering-Plough.
Uma outra ação muito eficiente, segundo Martins, é a aquisição de equipamentos que garantam a segurança dos funcionários, como o dispositivo de parada de máquina em emergência. "Nossa linha de produção é muito grande e, por isso, os trabalhadores, mesmo operando a mesma máquina, não conseguem se entreolhar nem saber o que está acontecendo uns com os outros", explica o engenheiro. Em outras palavras, não dá para saber se alguém se acidentou. Em qualquer parte do processo, qualquer pessoa da linha de produção pode acionar a máquina para que ela pare de funcionar. "Daí a necessidade de se ter um aparato que, quando acionado, em qualquer etapa do processo, desliga a máquina na hora", conclui. (ficou confuso. Por que o equipamento pára, efetivamente?
Todo o investimento - "e não gasto", como sempre enfatiza Martins - tem garantido bons resultados: em 1999, quando o projeto começou a ser implementado, aconteceram 36 acidentes. Ano passado foram nove. E este ano, nenhum.
Treinamento para o agricultor
Sipcam Agro, fabricante de defensivos agrícola, localizada em Uberaba, desenvolve um projeto especial de treinamento que, em última instância, instrui os consumidores do produto - agricultores que utilizam o pesticida para pulverizar suas plantações. A idéia é que esse público se conscientize da necessidade de utilizar material de prevenção, como luvas, máscaras e etc. Para não captar os efeitos negativos do produto. "Muitos dos acidentes com pesticidas acontecem fora das fábricas", afirma Edgard do Carmo, técnico de segurança do trabalho da companhia. "No campo, os agricultores muitas vezes nem lêem o manual de instrução tampouco utilizam os equipamentos necessários para manter a segurança (luva, máscara)", continua.
É por esse motivo que a organização está implementando um projeto no qual os representantes comerciais, que mantêm contato direto com os agricultores, estão tendo aulas em que aprendem como utilizar os produtos e quais as medidas de prevenção necessárias para o uso correto dos pesticidas. "A idéia é que esses profissionais, instruídos, possam passar para os consumidor final as informações adquiridas no curso", ressalta do Carmo.
A finalidade da iniciativa é reverter um quadro pra lá de preocupante. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma das áreas que mais registra acidentes é a agrícola, exatamente por esse contato próximo com pesticidas. Ano passado, cerca de 70 mil pessoas em todo o mundo foram vítimas fatais por causa do envenenamento por pesticidas. Para se ter uma idéia da gravidade, o amianto, substância que mais mata em todo mundo, utilizado em telhas, vitimizou 100 mil pessoas
Além dessa preocupação "extra fábrica", a empresa volta também suas atenções para suas dependências. Com um orçamento de R$ 400 mil, o departamento de prevenção coloca em prática medidas que visam erradicar os riscos a que estão submetidos seus empregados. "Nosso maior problema é o 'perigo químico', já que, aqui, lidamos com os defensivos agrícolas em estado bruto, concentrado", diz o técnico. Assim, para minimizar as chances de intoxicação, a empresa investe em treinamento de conscientização , em equipamentos de proteção individual (como respiradores faciais, botinas e luvas de borracha) e coletiva (exaustores para dispersar poeira e chuveiros de emergência).
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